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Barão Vermelho - A máquina de escrever
Quinta-Feira, 01.05.2008, 05:21pm (GMT-3)

Mãe, se eu morrer
De um repentino mal
Vende meus bens
À bem dos meus credores
A fantasia de festivas cores que usei
No derradeiro carnaval

Vende esse rádio
Que ganhei de prêmio
Por um concurso
Num jornal do povo
E aquele terno novo
Ou quase novo
Com poucas manchas
De café boêmio

Vende também meus óculos antigos
Que me davam ares inocentes
Não precisarei de suas lentes
Pra enxergar os corações amigos

Sem ruído é mais provável
Que eu alcance o céu
Vou penetrar e então provar seu mel
No paraíso só preciso de um olhar
Sem teu sorriso,outro sorriso pra me enganar

Mas poupa minha amiga de horas mortas
Com teclas bambas, minha máquina de peças tortas

Vende todas as grandes pequenezas
Que eram o meu íntimo tesouro
Mas não!ainda que ofereçam ouro
Mas não!ainda que ofereçam ouro
Não vendas o meu filtro de tristezas