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Zé Ramalho - Avôhai
Segunda-Feira, 21.04.2008, 03:47pm (GMT-3)

Um velho cruza a soleira

De botas longas de barbas longas de ouro o brilho do seu colar

Na laje fria onde coarava sua camisa e seu alforge de caçador

Oh meu velho e invisivél Avôhai

Oh meu velho e indivisível Avôhai

Neblina turva e brilhante em meu cérebro coágulos de sol

Amanita matutina que transparente cortina ao meu redor

Se eu disser que é meio sabido você diz que é bem pior

E pior do que planeta quando perde o girassol

É o têrço de brilhantes nos dedos de minha avó

E nunca mais eu tive medo da porteira

Nem também da companheira que nunca dormia só/Avôhai

O brejo cruza a poeira

De fato existe um tom mais leve na palidez desse pessoal

Pares de olhos tão profundos que amargam as pessoas que fitar

Mas que bebem sua vida sua alma na altura que mandar

São os olhos são as asas/cabelos de Avôhai

Na pedra de turmalina e no terreiro da usina eu me criei

Voava de madrugada e na cratera condenada eu me calei

Se eu calei foi de tristeza você cala por calar

E calado vai ficando só fala quando eu mandar

Rebuscando a conciência com medo de viajar

Até o meio da cabeça do cometa

Girando na carrapeta no jogo de improvisar

Entre cortando eu sigo dentro a linha reta

Eu tenho a palavra certa pra doutor não reclamar

Avôhai/Avôhai/Avôhai