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O Zelador da Fonte
Terça-Feira, 13.05.2008, 10:57pm (GMT-3)

 Conta uma lenda austríaca que em determinado povoado havia um pacato habitante da floresta que foi contratado pelo conselho municipal para cuidar das piscinas que guarneciam a fonte de água da comunidade.

 

O cavalheiro com silenciosa regularidade, inspecionava as colinas, retirava folhas e galhos secos, limpava o limo que poderia contaminar o fluxo da corrente de água fresca.

 

Ninguém lhe observava as longas horas de caminhada ao redor das colinas, nem o esforço para a retirada de entulhos.

 

Aos poucos, o povoado começou a atrair turistas. Cisnes graciosos passaram a nadar pela água cristalina.

 

Rodas d de várias empresas da região começaram a girar dia e noite.

 

As plantações eram naturalmente irrigadas, a paisagem vista dos restaurantes era de uma beleza extraordinária.

 

Os anos foram passando. Certo dia, o conselho da cidade se reuniu como fazia semestralmente.

 

Um dos membros do conselho resolveu inspecionar o orçamento e colocou os olhos no salário pago ao zelador da fonte.

 

De imediato, alertou aos demais e fez um longo discurso a respeito de como aquele velho estava sendo pago há anos, pela cidade.

 

E para quê? O que é que ele fazia, afinal? Era um estranho guarda da reserva florestal, sem utilidade alguma.

 

Seu discurso a todos convenceu. O conselho municipal dispensou o trabalho do zelador.

 

Nas semanas seguintes, nada de novo. Mas no outono, as árvores começaram a perder as folhas.

 

Pequenos galhos caíam nas piscinas formadas pelas nascentes.

 

Certa tarde, alguém notou uma coloração meio amarelada na fonte.

 

Dois dias depois, a água estava escura.

 

Mais uma semana e uma película de lodo cobria toda a superfície ao longo das margens.

 

O mau cheiro começou a ser exalado. Os cisnes emigraram para outras bandas. As rodas d começaram a girar lentamente, depois pararam.

 

Os turistas abandonaram o local. A enfermidade chegou ao povoado.

 

O conselho municipal tornou a se reunir, em sessão extraordinária e reconheceu o erro grosseiro cometido.

 

Imediatamente, tratou de novamente contratar o zelador da fonte.

 

Algumas semanas depois, as águas do autêntico rio da vida começaram a clarear. As rodas d voltaram a funcionar.

 

Voltaram os cisnes e a vida foi retomando seu curso.

 

Assim como o conselho municipal da pequena cidade, somos muitos de nós que não consideramos determinados servidores.

 

Aqueles que se desdobram todos os dias para que o pão chegue à nossa mesa, o mercado tenha as prateleiras abarrotadas.

 

Que os corredores do hospital e da escola se mantenham limpos.

 

Há quem limpe as ruas, recolha o lixo, dirija o ônibus, abra os portões da empresa.

 

Servidores anônimos. Quase sempre passamos por eles sem vê-los.

 

Mas, sem seu trabalho o nosso não poderia ser realizado ou a vida seria inviável.

 

O mundo é uma gigantesca empresa, onde cada um tem uma tarefa específica, mas indispensável.

 

Se alguém não executar o seu papel, o todo perecerá.

 

Dependemos uns dos outros. Para viver, para trabalhar, para sermos felizes!

Equipe de Redação do Momento Espírita