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Bolsa de Água e Boneca
Quarta-Feira, 02.04.2008, 03:28pm (GMT-3)

"E será que antes que clamem eu responderei; estando eles ainda falando, eu os ouvirei." Isaías 65:24.

Certa noite eu estava fazendo de tudo para ajudar uma mãe em trabalho de parto.

Apesar do esforço ela não resistiu e nos deixou com um bebê prematuro e uma filha de dois anos em prantos.

Era muito complicado manter o bebê vivo sem uma incubadora (não tínhamos eletricidade para ativar a incubadora).

Também não tínhamos recursos adequados de alimentação.

Mesmo morando na linha do equador, as noites eram frias com aragens traiçoeiras.

Uma das aprendizes de parteira foi buscar a caixa que reservávamos a tais bebês e os panos de algodão para envolvê-lo.

Uma outra, foi acender o fogo para aquecer uma chaleira com água, para a bolsa de água quente.

Sem demora, retornou desconsolada, pois a bolsa disponível havia rompido.

Borracha estraga fácil em clima tropical.

- "Era nossa última bolsa", disse-me.

Assim como no ocidente se diz que "não adianta chorar sobre o leite derramado", na África Central poderia ser que "não adianta chorar sobre bolsas estragadas".   Elas não crescem em árvores, e não existem farmácias no meio das florestas...

- "Muito bem", eu disse, "coloque o bebê em segurança o mais próximo quanto possível do fogo e durmam entre a porta e o bebê para protegê-lo das rufadas de vento frio. Precisamos manter o bebê aquecido." 

Na manhã seguinte, fui orar com as órfãs que se dispuseram a reunir comigo. Fiz uma série de sugestões que pudessem despertá-las a orar e, também, contei-lhes sobre o bebê.

Expliquei nossa dificuldade em manter o bebê aquecido, em função da única bolsa de água que havia estourado, e que o bebê poderia morrer de frio.

Mencionei a irmãzinha de 2 anos, que não parava de chorar, pela perda e ausência da mãe.

Durante as orações, uma das meninas de 10 anos, uma de nossas crianças africanas, orou:

- "Por favor, Deus, manda-nos uma bolsa de água quente. Amanhã talvez já vai ser tarde, Deus, porque o bebê pode não agüentar. Por isso, manda a bolsa ainda hoje, meu pai".

Enquanto eu ainda procurava recuperar o ar diante de tamanha demonstração de fé, ela acrescentou:

- "E já que está cuidando disso, Deus, por favor, manda junto uma boneca para a irmãzinha dela, para que ela saiba que o senhor a ama de verdade.".

Fiquei em apuros. Eu poderia simplesmente dizer "Amém". Eu, honestamente, não podia acreditar que Deus atenderia àquele pedido. A bíblia nos ensina que a fé, não tem limites.

O único jeito de realizar esse pedido, seria por encomenda à minha terra natal, via correio.

Eu estou na África, há quatro anos e jamais havia recebido uma encomenda postal de casa.

De qualquer forma, se alguém enviasse algo, mandaria uma bolsa de água quente?

Eu morava na linha do Equador.

À tarde, durante uma aula da escola de enfermagem, veio um recado dizendo que um carro estacionara no portão de minha casa.

Corri... Ao chegar em casa, o carro havia partido, mas deixara um pacote de 11 kg na varanda.

Chorei. Não consegui abrir o pacote sozinha, e pedi que algumas crianças do orfanato me ajudassem.

Tudo foi feito com muito cuidado, para que nada fosse danificado.

Os corações batiam forte.

Os olhos acompanhavam arregaladamente cada ação.

A camada de cima, era composta de roupas coloridas e cintilantes. O silêncio tomava conta, à medida que ia tirando as novidades. Havia ataduras para leprosos, caixinhas de uva-passa, farinha, que daria um gostoso bolo no fim de semana.

Quando pus as mãos de novo na caixa, pasmem...

- "Uma bolsa de água quente, novinha em folha". Eu gritei!

Eu não havia feito nenhuma encomenda neste sentido.

Ruth, que estava perto, saltou e começou a gritar:

- "Se Deus mandou a bolsa, ele também mandou a boneca.".

Enfiando as mãos na caixa, procurava pela boneca.

E lá estava ela. . . Maravilhosamente vestida.

Ruth nunca duvidara. Olhando para mim, perguntou:

- "Posso ir junto levar a boneca para aquela menina, para que ela saiba que Jesus também a ama muito?".

Este pacote estivera a caminho por 5 meses.

Foi uma iniciativa da minha ex-professora de escola bíblica, que atendeu a voz do Senhor de enviar uma bolsa de água quente. Uma das meninas da turma decidiu mandar junto uma boneca. . .   cinco meses antes! em resposta a uma oração, de outra menina de 10 anos que acreditou fielmente que Deus atenderia a sua oração, ainda naquela tarde.

Essa tradução do Reverendo Oscar Lehenbauer, de uma história acontecida com uma missionária americana que atuava em pleno coração africano.